O Google dá, o Google tira

Prezados leitores do blog, estou fazendo uma analogia sobre marketing em mecanismos de busca (Google), e  listas de e-mails. Encontrei o texto abaixo que fala do desespero de um empresário sobre seu site. Já parou pra pensar que o Google é uma empresa particular e não uma instituição pública, e ela pode a qualquer momento mudar as regras do jogo? Será que devemos priorizar a boa e velha lista de emails?

 

 

Graças à Google, os pedidos entravam. A vida era boa. As vendas decolaram e logo Moncrief tinha em mãos um negócio movimentado. Ele havia feito praticamente tudo certo – encontrou uma necessidade e a satisfez. Em meados de 2003, Moncrief estava movimentando mais de US$ 40 mil em calçados grandes por mês com 95% deles vindo de orientações de ferramentas de busca – a maioria da Google. E o melhor: Moncrief nunca havia pago um anúncio – todas as orientações das ferramentas de busca eram “orgânicas”. As pessoas encontravam Moncrief por meio do Google porque este funcionava conforme se esperava. “Eu imagina as pessoas que tinham de comprar um anúncio, bem, devia haver uma razão para que o fizessem”, disse-me Moncrief. “Nós éramos a resposta certa para a busca; por que comprar um anúncio?”

Então pouco antes da crítica temporada de compras para as festas, um furacão atingiu a 2bigfeet.com .

Na terceira semana de novembro, em 14 de novembro de 2003, para ser preciso, o telefone parou de tocar e os pedidos pararam de entrar. Por duas semanas, Neil Moncrief não sabia o que o tinha atingido. Mas então ele, começou a se perguntar – será que a Google tinha quebrado?

A ideia parecia ridícula – a Google quebrada? Mas uma busca rápida na Google confirmou suas suspeitas – 2bigfeet.com não era mais o primeiro resultado para “pés grandes” na Google. Na verdade, ele nem mesmo estava entre os 100 primeiros resultados. Na colocação de Moncrief, foi como se o Departamento de Transporte de Geórgia tivesse tirado todos os sinais das estradas na calada da noite e os seus clientes não soubessem mais como chegar à sua loja. O que tinha acontecido?

Em resumo, a Google havia mexido em seus algoritmos de resultado de buscas, coisa que ela faz com frequência. Mas, dessa vez, as modificações da Google, que pretendiam frustrar spammers, também tinham, de alguma forma, atingido o site de Moncrief. Aquilo que a Google dá, aprendeu Moncrief pelo caminho difícil, a Google também pode tirar.

O Dia de Ação de Graças estava chegando e Moncrief enfrentava a perda de toda a temporada do Natal. O que fazer? Ele foi ao website da Google e tentou encontrar um número de telefone ou um contato de e-mail onde pudesse solicitar uma correção. Afinal, tudo estava funcionando antes, por que mudar agora? Por que iria o Google, um gigante bilionário do Vale do Silício dar-se o trabalho de isolar um pai de dois filhos que dirige um diminuto negócio de calçados na Geórgia? Será que a Google não percebe, perguntava-se Moncrief, que ela eliminou meu negócio, meu sustento?

Bem na verdade, não. Moncrief ligou para a sede da Google em Mountain View, Califórnia, mas não conseguiu nada além de um voice mais e uma única chamada de retorno. Ele enviou e-mails para help@google.com e para search-quality@google.com, mas não teve resposta. Era como se os sujeitos lá da Califórnia simplesmente não se importassem; eles estavam deixando Moncrief à mercê dos ventos.

Foi então que Moncrief se deu conta de que, embora tivesse deixado de trabalhar para um patrão, ele agora trabalhava para um soberano muito mais caprichoso, que nem mesmo tinha ideia de sua existência.

Moncrief é um home cauteloso, conservador, um republicano. Não é do tipo que pede intervenção do governo. Mas, quando falei com ele pela primeira vez em 2003, ele estava pronto para enforcar os filhos da mãe da Google. Eles estavam acabando com sua família, ele não conseguia dormir e eles nem mesmo retornavam um simples telefonema. Neil tinha quatro ou cinco carnês de empréstimo bancários sobre a mesa olhando para ele e nenhum dinheiro para pagá-los. E havia quatro mil pares de sapato grandes saindo de moda em suas prateleiras.

 

Retirado do livro: A Busca de John Battelle,

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Comentários

  • CARLOS MOURA

    Agora fiquei intrigado, como ele conseguiu resolver?

    Aguardo,

    • Rh.Tur

      Olá Carlos,

      Acompanhei alguns comentários do case dele, pelo que pude ler, a empresa adotou uma tática de aproximação com os clientes, visando não depender tanto mais do Google. Pelo que li adotaram uma estratégia baseada em conteúdo e CRM.
      Eles estão no ar ainda, você pode consultar em: http://www.2bigfeet.com
      Obrigado pelo post e apareça sempre.
      Eduardo Racy Abdalla

  • Maria Cristina

    Por um lado fiquei chocada com o caso, nunca precisei recorrer ao Google para algo semelhante. Utilizo o Google para informações muito básicas porque sinceramente além de ser meio desligada com questões de tecnologia, também é certo que não confio piamente nesses sites, promoções, etc…que aparecem por aqui. Em sites de relacionamento não entro, não sou usuária porque não gosto. No fundo não deveria ficar muito chocada porque estas coisas ligadas a internet na minha opinião não são seguras. Espero que esse empresário tenha conseguido resolver os problemas dele da melhor forma possível. E já agora vou confessar que me sinto mais segura guardando as minhas listas de emails, ainda utilizo agenda porque acho mais seguro. Internet é muito boa quando funciona bem, mas quando resolve não funcionar, tudo fica OFF, inclusive a nossa vida…nem em celular eu confio para guardar a lista de meus contatos.
    Espero que a minha opinião tenha ajudado de alguma forma.
    Muito obrigada!

    • Rh.Tur

      Oi Cristina,
      Obrigado pelo depoimento! Bom, seguro a internet nunca foi, aliás a partir de agora a invasão de privacidade está vindo pela “internet das coisas”, tablets, celulares, relógios, conexões por GPS, e um sem fim de câmeras espalhadas por ai. Acredito que hoje não é mais uma questão de querer ou não, já vivemos a obra de George Orwell.
      Infelizmente (ou felizmente), nossos clientes e prospects estão na net, e como profissionais não podemos nos furtar dela.
      Sobre o empresario em questão, sua loja está aberta (na net). O site dele; http://www.2bigfeet.com , e está indo bem pelo que fiquei sabendo.
      Muito obrigado novamente e apareça sempre.
      Eduardo Racy Abdalla

  • Usiel

    Penso que o problema não é da google, mas de casa usuário, se penso em lucrar usando ferramentas de busca, devo investir nisso e, quando digo investir, não é somente em dinheiro, mas principalmente na busca em aprender a usar tais ferramentas de forma adequada, e se for preciso até contratar uma empresa especializada, a google é apenas uma de muitas empresas de buscas existentes.
    Sobre listas de e-mail, acredito ser ainda funcional mas já se tornou muito banalizada com pessoas sem bom senso enviando spam; atualmente recebo dezenas diariamente e preciso usar filtros pra que não me incomodem tanto, com isso, às vezes deixo de ler alguma mensagem importante por serem consideradas spam, tornando as listas não tão eficientes.
    Gosto muito de tecnologia e e acredito que mesmo pessoas leigas no assunto podem usufruir de seus benfícios de forma segura, basta ter disposição em aprender.

  • Sonia M. A. Silva

    Mas então Eduardo, a gente deve guardar como a Cristina a nossa lista de email em agendas?

    Att,

    Sonia A. Silva

    • Rh.Tur

      Oi Sonia,
      Infelizmente no meio web (assim como no físico), a segurança as vezes está acima dos nossos limites.
      No meu caso especifico, mantenho minhas listas em servidores virtuais e em disco rigido fora do meu computador. Até hoje nunca tive nenhum problema com relação a invasão.
      Muito obrigado pela questão (super pertinente), e apareça sempre.
      Eduardo Racy Abdalla

  • izaura Antelo

    Bom dia!Eu gostaria de agradecer muito a vc Eduardo e a sua equipe que me ajudaram quando cheguei aqui no Brasil…Nao conseguia trabalho porque todos meus estudos foram realizados fora do Brasil….fiquei quase 2 anos sem trabalho.Fiz o curso SABRE com vcs e graças a Deus abriram-se as portas pra min…..Agora posso dizer e agradecer a vcs que me dou o luxo de poder escolher o tipo de trabalho que quero,tudo isso foi possível depois de passei a ser capacitada por vcs.Espero que nossa parceria continue sempre.Muito obrigada pelo que fizeram por min…..Especialmente a vc Eduardo Abdalla.Fique com Deus sempre.